
O fantasma da crise não dorme nem deixa sossegar o mundo. Mas ela, a crise, pois claro, também veio revelar faces ocultas, há muito sob suspeição, mas que agora estão aí na praça pública. E os seus actores principais escudam-se atrás da política.
Veja-se, por exemplo, que em 2008, ano em que vários bancos abriram falência no mundo, cada gestor da Banca portuguesa ganhou em média 698 081 euros, mais 13%. Ora bem, afinal temos crises desiguais. A pobreza sobe e o desemprego aumenta, mas certos actores engordam que se fartam, sob as graças dos nossos governantes.
Trapalhadas ao desbarato, repetidos focos de corrupção com a classe política de cabeça metida num polvo de negociatas. Com a justiça à deriva e o povo a naufragar.
Coitado do Sócrates, sempre na berlinda, que coincidências, azar, feitiço, mas que atracção fatal à corrupção. E ainda há quem diga que é um assassinato de carácter ou espionagem política. Nem vale a pena descriminar os episódios desgraçados que envolvem o primeiro-ministro português. Basta avivar a mais recente conclusão da Comissão Europeia, que já não tem dúvidas de que o processo de adjudicação directa dos computadores Magalhães à JP Sá Couto constitui uma infracção ao direito comunitário do mercado interno e já o fez saber ao (des)Governo nacional.
Esta convicção significa que se Lisboa não apresentar rapidamente argumentos novos e pertinentes para justificar a sua opção, Bruxelas imporá uma alteração ao quadro legal que rege o fornecimento do Magalhães e serviços associados, se necessário através da apresentação de uma queixa ao Tribunal de Justiça da União Europeia (UE). É a vida... acontece aos governantes...
Vejam lá que até o antigo Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, pode vir a tornar-se um dos mais ricos governantes de sempre no Reino Unido. Desde que abandonou o poder, em 2007, Blair já recebeu milhões de libras, canalizados para uma estrutura semi-secreta - pensada para fugir ao fisco, admite o jornal The Guardian. Quando abandonou o cargo, Tony Blair começou a juntar uma fortuna, proveniente de fontes nem sempre claras.
Jogos de politiquices, tipo Durão Barroso, Guterres, Jorge Coelho e outros antigos governantes portugueses com destaque para os delfins de Cavaco Silva, que saem da política para altos cargos na banca e em grandes empresas, fazem fortunas e alinham nos esquemas de corrupção.
Então, e por aqui, acham que os actores da política lacobrigense têm faces ocultas, que a corrupção está bem viva da silva e que existem fortunas secretas?
Ora bem, toca a investigar, porque há gato escondido com o rabo de fora.
Já agora, que o Natal bate à porta e com a crise entontecida, sabiam que Sócrates vem a Lagos no dia 19 de Dezembro, a convite de Júlio Barroso?
É verdade, a surpresa é um espectáculo Infantil “Pinóquio”, a realizar no Pavilhão Municipal da derrapagem penalizada pelo Tribunal de Contas (hi hi hi).
Qual crise, em Lagos, ela só existe porque a Câmara está falida, as principais instituições locais dominadas e subvertidas por comissários políticos, porque as negociatas engordam, porque a cidade está descaracterizada. Enfim, só se safam eles mesmos, sim, os donos do poder em Lagos que acumulam fortunas e falseiam os lacobrigenses.
São faces ocultas em crises desiguais.