
"A obra consiste na execução de vários tipos de calçada, arranjos exteriores, espaços verdes, mobiliário urbano, fonte cibernética e todas as infra-estruturas associadas (abastecimento de água, drenagem de esgotos, electricidade, iluminação pública, condutas telefónicas)."
Em reunião de Câmara de dia 28 de Outubro, foi ratificada a suspensão parcial da empreitada (fase 6, por 4 meses) com abstenção dos vereadores do PSD.
Na mesma reunião, foi ratificado o Auto de Vistoria para Recepção Provisória da Empreitada, com os votos contra do PSD (acta disponível aqui).
Tire-se as ilações, mas a recepção provisória só pode ser PARCIAL.
Ao que parece, recebe-se a obra com tapumes, com estaleiro montado e máquinas in situ, com ILUMINAÇÃO PÚBLICA, tampas de esgoto e recipientes do lixo por colocar, calçadas por fazer, pilaretes derrubados, buracos no pavimento, postes de madeira com infra-estruturas aéreas e sinalizações provisórias no espaço público...
No dia anterior à reunião, dia do Município, foi a obra da Frente Ribeirinha visitada na qualidade de "Obra em Curso", quando no dia 15 já existia a vistoria que agora sustenta a recepção provisória que agora descompromete o empreiteiro até das multas por atraso na execução.
Para os benevolentes, que acusam de reaccionarismo ou de falta de oportunidade aqueles que se manifestam descontentes com a obra, que fixem:
Não houve discussão pública. Houve sim apresentação pública do projecto, no qual alguns cidadãos aproveitaram para expôr posições de cepticismo.
A própria apresentação pública não fazia prever a substituição integral da arborização existente por uns troncos nus e secos, não fazia prever a total tábua rasa de toda a área, não fazia prever a baixa económica verificada posteriormente no concelho nem a crise nas contas autárquicas.
Em suma, são milhões de Euros gastos para transformar um jardim num relvado pior e duas bonitas praças numa aberração.
E é importante não entrar em falácias e perceber que não é o facto de a população, através do voto preterir expressivamente o projecto de Nuno Marques ao de Júlio Barroso que esta obra ou os seus obreiros ficam isentos de crítica.
Vão ao local e remirem:
Alterou-se a localização de 3 esculturas municipais, em que nenhuma delas se viu valorizada por isso, antes pelo contrário. As calçadas pombalinas e todos os seus desenhos desapareceram totalmente. Os poucos jardins de flores que existiam foram pavimentados. Os novos relvados são em parte inacessíveis ou perigosos para uma criança brincar. A praça do pelourinho perdeu as suas árvores históricas, as suas sombras, o chilrear dos pássaros e toda a vida. A desculpa da sujidade que as resinas das árvores ou os dejectos dos pássaros proporcionavam não perdoa a sua erradicação, tal como a desculpa da delinquência no anterior jardim não justifica uma demolição de milhões!
No espaço, ninguém pára para admirar belezas mas para contornar obstáculos arquitectónicos, para urinar ou para a única actividade convidativa que é atirar pedras à água que assenta no cascalho, suposto espelho de água que se prevê ser depósito de lixo e penugens das aves palmípedes que ocupam desmesuradamente a nossa cidade.
Não tem iluminação Pública, não tem recipientes para o lixo, não tem abrigos nem sombras.
Era esta a grande obra de renovação e preservação que foi anunciada inaugurar no início do Verão, depois a meio do Verão e depois sabe-se lá quando?
Paulo Rosário Dias
artigo com fotos será publicado esta tarde em
http://mpt-lagos.blogspot.com